Quando foi perguntado para o criador da SPFW, Paulo Borges, sobre o foco sustentável do evento, ele disse que a semana de moda brasileira tem a sustentabilidade como bandeira e que a moda deveria ser vetor do nosso desenvolvimento. Falou também sobre a estrutura reaproveitada do evento, mas quando foi mais questionado, pediu para que falassem com a assessoria.
Como dá pra perceber, apesar do país ser foco no tema, as iniciativas brasileiras no setor têxtil em prol da sustentabilidade são mínimas. O Instituto Ethos, expert na área, não tem nenhum levantamento que aponte empresas de moda que trabalham com indicadores de responsabilidade social.
O que parece acontecer com a moda “sustentável” brasileira é o mesmo que acontecia com a filantropia no país nas décadas de 80 e 90. As mulheres de classe A tiravam fotos com crianças pobres e doavam brinquedos, mas não havia ações a longo prazo. Os valores foram revistos, as ações reformuladas e hoje as ONGs e empresas lutam para que se faça diferente.
E, apesar de estarmos em 2010, a moda brasileira parece sofrer do mesmo mal. Os estilistas desenham peças com tecidos orgânicos, trabalham com algumas pequenas comunidades têxteis durante algumas coleções e deixam tudo verde, mas a verdade é que o foco ambiental não faz parte da pauta. As condições de trabalho são as mesmas de décadas passadas, e o modo de produção também.
E, se a moda brasileira é jovem e recém-formada, em vez de esperar (e rezar) para que o processo se reverta, por que não fazer certo de uma vez por todas? O país tem recursos e uma massa populacional inteira para ajudar. Afinal, desfilar vestido de PET não é de fato pôr a mão na massa.
Referência: http://pagina22.com.br/index.php/2010/07/o-eco-do-fashion/










